Há mansões de mais e compradores
de menos na Barra da Tijuca.
Mansões que se espraiam por terrenos amplos, algumas com área construída de mais de 1 000 metros quadrados, equipadas com piscina, sauna, pérgula, quadra esportiva e vastos jardins floridos. Esses palacetes dos sonhos tornaram-se o pesadelo dos corretores imobiliários que atuam na Barra da Tijuca e redondezas. Não tem sido fácil arrumar comprador para as residências de alto luxo da região. "A oferta é muito maior do que a procura", atesta Lilian da Silva Rodrigues, sócia da imobiliária Special Places. Especializada no mercado de casas, a empresa tem 1 350 propriedades à venda, da Joatinga ao Recreio, com preços que variam entre 520 000 e 8 milhões de reais. Além de escasso, o público-alvo adquiriu novo perfil. "O dinheiro está mudando de mãos", diz o corretor Fernando Brandão. "Hoje os principais consumidores desse tipo de imóvel são empresários da Baixada Fluminense e jogadores de futebol."
O elevado valor de taxas como o IPTU e a trabalhosa manutenção de uma casa, que inclui cuidados permanentes com a infra-estrutura, fora a despesa com jardineiro e cães de guarda, por exemplo, são fatores fundamentais para a crise do mercado. "À medida que a família envelhece e os filhos se mudam, ocorre uma migração natural para imóveis menores", afirma Marcos Levy, vice-presidente da Associação dos Dirigentes do Mercado Imobiliário e presidente da incorporadora Brascan, que lançou em 2004 o Santa Mônica Jardins, o último grande condomínio de casas inaugurado na Barra. No terreno de 372 000 metros quadrados está planejada a construção de 202 casas com 400 metros quadrados de área interna, que custam de 1 milhão a 2 milhões de reais. "Nosso público-alvo são casais entre 30 e 40 anos, com um ou dois filhos, que procuram mais espaço e privacidade", explica. "O problema é que está cada vez mais difícil chegar a essa idade com poder aquisitivo para comprar e manter uma casa." No Condomínio das Mansões, na Barra, um imóvel de três andares e 1 000 metros quadrados de área interna está à venda por 1,6 milhão de reais desde 2004.
Há boa oferta de apartamentos de alto padrão para quem busca o conforto de uma residência espaçosa mas não quer ter a trabalheira de manter uma casa. Trata-se de um mercado que literalmente ganha terreno na região. São apartamentos espaçosos em condomínios com área de lazer, piscina, quadras poliesportivas, academia de ginástica e salão de festas. "Muitas propriedades à venda no Condomínio Malibu pertencem a pessoas que migraram para apartamentos do Riserva Uno", exemplifica o corretor Fernando Brandão, citando o conjunto de cinco prédios com unidades que chegam a ter 550 metros quadrados. Outro fator preponderante é o trânsito caótico para entrar e sair do bairro, o que agora provoca o retorno daqueles que haviam optado por trocar a Zona Sul pela Barra em busca de mais espaço e tranqüilidade.
Nesse conturbado mercado, os imóveis de maior procura são, naturalmente, os mais novos, que seguem o estilo colonial americano de arquitetura, o preferido dos compradores. Com o preço em baixa e interessados rareando, as mansões com mais de vinte anos acabam sendo negociadas pelo valor do terreno limpo. É a conseqüência de haver mais casas à venda que lotes disponíveis. "Devido à burocracia para obter licenças, às vezes é mais rápido derrubar uma casa e construir outra do que começar do zero", explica o arquiteto Jorge Brezinsky, que demoliu um imóvel no condomínio da Avenida Lúcio Costa, 3100, para levantar a nova propriedade de um jogador de futebol que atualmente mora na Itália.
Fonte: Revista Veja
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