MINISTÉRIO DO TURISMO INVESTIRÁ R$ 3,5 MILHÕES NO MUSEU MANABU MABE

Antigo Colégio Campos Salles, na Liberdade, maior reduto da comunidade japonesa na capital paulista, passa por reformas para abrigar obras de artistas plásticos e se tornar espaço interativo de cultura

A ministra do Turismo, Marta Suplicy, anunciou hoje (5), durante visita ao prédio do antigo Colégio Campos Salles, no bairro da Liberdade, em São Paulo, que o Ministério vai destinar R$ 3,5 milhões para as obras de reconversão do espaço em museu. Lá, será instalado o Museu da Arte Moderna Nipo-Brasileira Manabu Mabe. O projeto está orçado, no total, em R$ 10 milhões e já conta com o patrocínio da Nossa Caixa, Standard Bank, Companhia Energética de São Paulo (CESP) e ABC Brasil (Arab Banking Corporation), por meio da lei Rouanet, de incentivo à cultura. O deputado federal Walter Ioshi assumiu o compromisso de complementar os recursos necessários ao projeto, apresentando emenda parlamentar para o exercício de 2009.

O projeto para criação do Museu congrega as culturas brasileira e japonesa, durante o ano de comemoração do Centenário do Intercâmbio Japão-Brasil. A restauração do Colégio Campos Salles teve início em 2006. A obra tem por objetivo devolver ao prédio as características do estilo eclético Liberty, que tinha quando foi construído, em 1911, pelo arquiteto italiano Giovanni Batista Bianchi.

A ministra assinalou a importância de investir em um projeto que fica para as demais gerações e destacou: "Manabu Mabe, se me permitem dizer, é um dos maiores pintores brasileiros". Marta Suplicy explicou que o Ministério do Turismo, ao colaborar com a criação do museu que leva o nome do gênio nascido no Japão, soma mais uma ação do MTur ao leque de investimentos feitos por ocasião do Centenário do Intercâmbio Japão-Brasil e ainda ao trabalho para atrair mais turistas japoneses ao país. Ela acrescentou que vê no projeto do museu algo muito positivo e interessante ao agregar o conceito de "interatividade". "É algo que nossa juventude conhece bem: interatividade".

O fluxo de turistas japoneses ao Brasil aumentou 74% (entre 2000 e 2006). No ano passado, foram 74.638 visitantes. Já morando no país, há cerca de 1,5 milhão. Trata-se da maior colônia no mundo. Para estreitar ainda mais os laços de amizade e proximidade, o Ministério do Turismo tem feito, por exemplo, investimentos em infra-estrutura turística, como na construção do Parque Yumê, em Rolândia, Paraná, para onde estão destinados R$ 9,5 milhões.

O Ministério do Turismo tem atuado, também, em ações de promoção do Brasil no Japão por meio de um escritório em parceria com os países do Mercosul. "E ainda há iniciativas como a instituição da medalha do Mérito do Turismo do Centenário da Imigração Japonesa do Brasil a japoneses e descendentes", recordou a ministra. Esta última é mais uma ação de parceria entre o Ministério do Turismo com a comunidade japonesa, dessa vez por meio do Instituto Rosa Okubo. A instituição da medalha foi firmada semana passada. Será concedida aos que se inscreverem por meio de monografia contando ações de pessoas que trabalharam e valorizaram a integração entre os dois países. Os trabalhos serão avaliados por historiadores e julgados por personalidades de notório saber.

Museu - Yugo Mabe, presidente do Instituto Manabu Mabe, e filho mais velho do artista plástico, disse que o museu consolida o sonha de seu pai: "Ele queria retribuir, de alguma maneira, ao governo e ao povo tudo que recebeu ao vir para o Brasil". Yugo explicou que o pai, autodidata, teve oportunidade, por meio das artes plásticas, de conhecer personalidades públicas e ver seu trabalho reconhecido. Ao mesmo tempo, pôde colaborar para a projeção de artistas japoneses e descendentes. "Queremos neste espaço, que vai abrigar salas de exposições temporárias, pinturas, esculturas e mangás, apresentar ao público algo que não seja visto como um espaço de elite, mas, sim, aberto para que todos se sintam bem e que sirva para integrar as nossas culturas, que seja um roteiro turístico", disse Yugo.

O deputado Walter Ioshi disse que era importante a presença da ministra no ex-Colégio Campos Salles - onde estudou -, e destacou o trabalho do Ministério do Turismo nas comemorações do Ano do Intercâmbio Japão-Brasil. "Este é um sonho iniciado por Manabu Mabe e um inestimável presente aos apreciadores da Arte Moderna", disse referindo-se ao futuro museu.

Durante a visita da ministra ao ex-Colégio Campos Salles, em que estiveram presentes a família do artista Manabu Mabe - a mulher Yoshino e mais dois filhos além de Yugo, Joh e Ken -, os vereadores Jooji Hato, Ushitaro Kamia e Aurélio Nomura, também representantes da comunidade japonesa da Liberdade, o arquiteto Victor Hugo Mori, apresentou o projeto em plantas projetadas. Mori é profissional na área de recuperação de imóveis de interesse histórico e responsável pelo projeto de restauro e reconversão do prédio do ex-Colégio para que se transforme em museu.

Projeto - O arquiteto explicou que a primeira fase do projeto deverá ser entregue em 14 de junho, devolvendo ao prédio a sua cobertura, que foi destruída por incêndio ocorrido em 1992. Esta fase inclui o restauro e pintura da fachada em tom amarelo ocre, à cal, e da parte interna do prédio, com área de 1.500 m². O prédio terá vitrais tais quais os originais e conservará características como o piso em ladrilho hidráulico e as portas em madeira maciça. O porão do edifício será ampliado em cerca de um metro para se transformar em um subsolo que abrigará salas administrativas, um ateliê de restauro e reserva técnica. O pátio dará lugar a um prédio anexo, que será construído nos fundos do terreno, onde haverá um auditório multimídia com capacidade para cerca de 200 pessoas. O auditório poderá exibir peças de teatro, filmes, mas também ser um espaço para palestras e workshops. As doze salas de aula da escola, com um pé-direito de aproximadamente cinco metros, se transformarão em espaços de exibição de arte do acervo do próprio Instituto Manabu Mabe, e também abrigarão exposições de arte temporárias especiais.

A proposta de diálogo com os jovens já está presente durante as obras de recuperação do prédio. Em um dos tapumes, na entrada, há um trabalho de grafite feito por meninos do bairro do Glicério. Um outro, será deixado para os estudantes da faculdade de Belas Artes, com a proposta de abrir esse espaço para outros artistas a cada dois meses. Além disso, serão colocadas obras de arte em parte do tapume, sem o nome do artista, para provocar a curiosidade de quem passa pela localidade.

Fonte: Maxpress

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